terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Asas para a liberdade

Felicidade.  A presenca da ausencia da morte, tema de um livro, companheiro de minhas andancas.
Lembra-me independencia, numa frase emblematica.  Morte, o momento vazio onde nao ha mais o pensar.
Pequenos momentos, livres.  Do medo pelo existir, e por todo e qualquer julgamento moral, que cerceie as opcoes individuais.
Posto que e fato, livre de quaisquer expectativas, num espectro inteiro de satisfacao para com o que se tenha.
Estou feliz, nao mais o sou.  E minha visao da morte atormentada se torna palco de fundo de meus atimos de redencao, apenas.
Voar, simplesmente.  Saborear a sensacao do encontro com as nuvens, e a visao de belas paisagens.  Encontrar o motivo que justifique o inesperado, modelado nas asas de um aviao, que corta os ares.  Certeiro, veloz, digno de sua propria envergadura.
Por sobre mares e oceanos, terras desconhecidas, esse passaro gigante, criacao do homem a sua essencia, se desloca.  Somos mais do que existir, no momento em que criamos nossos proprios veiculos para a liberdade.
Sartre postulava que a existencia se dava a priori, resultando dai o homem angustiado, vitimizado pela sua propria crise.  Escolher rumos e tarefa ardua, nao resultante em caminhos virtuosos, muitas vezes.  Mas, de como conflitada, e a unica via que possa preencher as expectativas do ser.
Livres aqueles que se permitem adentrar ao mundo da nao pre escolha definida, e tomada de riscos calculados.  O que ai esta e para ser saboreado, nas suas duvidas e contingencias.  Com as limitacoes de cada ser como individuo, muito embora um moto continuo para toda a humanidade.
Eis-me aqui, tomada de coragem, rosto ao vento, e uma passagem com destino.  Remoto, mas pulsante.  Livre, em acorrentada pelas minhas emocoes.  Num dialogo continuo entre as minhas expectativas.
Sempre gostei de aeroportos, que simbolizem o efemero do transito, para de onde se veio e va. Com uma identidade definida pelo nao paradeiro.  Com os quais ja convivi, em momentos de cansaco e perguntas, sempre a me dizer o incompleto. Como me tornei cronista de aeroporto, vale lhe atribuir uma nova missao.  Que seja linda, pois minha esperanca e a mesma.  Viver o que ha de bom, o quanto efemero, pois assim se faz.  E com alegria, pelo prazer da escolha.
Ana, sao tantas as vezes em que lhe encontro, e tantas palavras bonitas foram as que trocamos.  Nao saberei porque tive uma chance, a voce nao dada. Em nossas conversas, agora, so sinto voce, mesmo estando em nao palavras, e nem mesmo sei que tipo de anseio elas me causam.  Por voce, tambem decido ser livre, para que a vida me proporcione um verdadeiro sentido.  E continuarei acreditando no pressuposto de que os instantes de felicidade que encontrarei, a priori, nao sao tangiveis preconcebidamente e, sim, fruto do meu aprendizado para com o viver e seus dominios.
Voce e linda, sua luz o e.   Sua ida foi o instante derradeiro para eu me certificar da minha total fragilidade, enquanto ser humano.  Minha gratitude pelos inumeros presentes com os quais tenho sida ofertada.  E so posso chorar, pela grandeza dessa conscientizacao, que vem de encontro a sua vida suprimida.
Nao deveria ser assim, mas o e. Sem arrependimentos e explicacoes.  Felicidade ou morte, o livro a minha cabeceira.  Eu escolho voar.

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