sábado, 20 de janeiro de 2018

O não calar de nossa voz ( Lula, viva II )

Moro fora do Brasil há 34 anos, não suficientes para apagar as marcas indeléveis da ditadura militar.
O mundo digital moderno nos faz acreditar de que temos o mesmo termômetro emocional para com as barbáries as quais não presenciamos, mas pensamos saber seu sabor fétido.
Estive em São Paulo, cidade onde nasci, durante quase todo o mês de abril, em 2016.  E foi já no fim dele, no dia 28, que experienciei uma cena da qual não posso me olvidar.  A repressão covarde a uma passeata pacífica, que saiu do Largo da Batata, em direção a casa do presidente golpista Mechel Temer.  Bombas que causaram a dispersão dos manifestantes, policiais os perseguindo pelas ruas adjacentes, e até mesmo atacando os que voltavam ao Largo da Batata.
Foram momentos extremamente angustiantes para mim, que não conhecia a violencia que se instalou, novamente,no Brasil.  A ela chamei ditadura, com a certeza de meus olhos que arderam, por dois dias.
Eis-nos aqui, defrontando o panorama incerto do que virá a acontecer no próximo dia 24 de janeiro, em Porto Alegre.  Não tenho ilusões de que o poder de exceção nos deixará gritar nosso grito de liberdade, sem tentar fazê-lo calar.  Mas acredito nas vozes dos milhares que não se intimidarão.  Porque o medo não é maior do que a fome, e a constação de que direitos básicos não possam ser usurpados.
Lula viva, para que se torne realidade a voz do povo.  Que se levante um coro uníssono de todos os brasileiros, que sabem estarem sendo traidos.
Que recuperemos nossa dignidade, ceifada pelas mãos de tiranos, aos quais a vida humana é barganha para se chegar ao poder.
Para que eu possa sentir que, em meus olhos ardendo, valeu a certeza da vitória.
Eleição sem Lula é fraude.  Rumemos a um futuro que nos traga um sorriso de novo ao rosto, apesar de toda a dor, a nós, impingida.

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