sábado, 2 de dezembro de 2017

Fim nao menos comeco ( Encerra-se 2017 )

Tateando as vozes do escuro, se preciso fosse, somente uma respostra encontraria.
Nao sei, do que sou eu, sem meus fantasmas e fantasias, e ludicos sonhos do que o, supostamente, nao o e.
Remetendo-me a figuras, seu rosto me aparece em perguntas.  Pelo simples desejo do nao apego, opto em olvida-las.  Na sensacao de um tempo que se passou, dividindo-se nas metaforas da existencia.
Ano que naufraga, caudoloso em seu rio, do qual extraio as reminiscencias do ardor vivido, e da realidade desencontrada.
Simbolos de fuga, nao mesmo dentro de mim mesma, correndo pelos espacos da procura de um abrigo entre as sombras das duvidas que virao, e meu eterno porvir, pelos acalantos que ja nao mais existiram.
Fecho-me ao meu redor, e indago da vida somente o posto, sem desalinho.  A merce de um futuro que grita, em lagrimas que nao me consumam.  Deixem-me viver os momentos como se fossem derradeiros, ainda que predestinados.  Subir aos montes, e de la ver uma grande paisagem que se oferte, segura e calma, sem ecos de resposta.
Apenas viver, no somente o obvio, sem grandes sementes de tristeza, ou ventos fortes de alegria.  Numa nau balenceada a procura do horizonte, sem apego aos humanos, ou a nada que se me desfaca.
Como mulher, mae e ser humano, unica, presente nas viagens inconscientes nas quais a deriva nao ousa abarcar.  Tendo sido, e sempre posso, um poema de menina.  Para cantar o belo, que insista em se disfarcar em breve lamento, ja nao sem medo.
Mais um ano que se termina, em sendo inteira, bussola que desafia minha razao de ser.  Estendam-se as maos da forca do pensamento e da utopia realizada, e continuarei meus passos, vagos, por oras, ou certos na sua posse.
Finda-se ano, e louvarei a mao do destino a me trazer forca em construir meu arado.  Saudarei os velhos anciaos, ja dormindo em suas covas, e nao me esquecerei do trajeto intransponivel que me levara a morte.
Assim, e sendo, nada mais faco a contemplar minhas palavras doces, das quais extraio um infindavel senso estetico, que me perpassa.
Do muito que olvidei, me calo.  Das tristezas acometidas e o peso da existencia, me faco leve e fluida, como uma pluma que se desloque, indefinidamente por seu redor.
Morri nas vezes em que nasci, mas ainda escrevo e perjuro lagrimas.  Foram-se muitos, e o mundo se acovardou.  Eu sobrevivi ao opio de uma geracao estarrecida, mas cheia de sonhos.  Ao mal que a mao do homem projeta em seu semelhante.  Aos cursos infindos de maldade e destruicao.
Dancei uma valsa, e bebi o fel dos velhos.  Apostei na corrida dos tempos que reproduzem minutos, velozes.
Estarrecida, contemplo a vida que segue.  Farta em minha mesa, nao a sendo mundo afora. Feliz pelas flores que vejo, a minha frente.  Sempre em contradicao com meus sentidos que mentem, e a covardia do valor em ser humano.
Devo concluir, assim  como se encerre esse mais ano, sem derramar palavras de alento pelo papel.  Clamando amor e justica, eu, que sei tao pouco. 
A ouvir as vozes do silencio, a mim e, tao somente, me bastar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário