quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Um corpo de mulher ( Desejo que nao cala )

Foi quando me vi olhando para o perfil do corpo daquela mulher, que se movimentava a minha frente.
Saboreei suas curvas e cintura fina emoldurada por um training preto, que a vazao da performance nao escondia.
E sorri, acompanhando as nuances de um corpo fresco, trajes negros, a se movimentar a minha frente.
Sua escultura me serviu de deleite a prescrutar, em minha imaginacao, quais olhos serviriam a majestade daquele corpo esguio.  E nao lhes imaginei, ate o momento em que os cruzei, ziguezazeando-nos pelos desfiladeiros de um supermercado.
Pego-me, ainda, relembrando minha busca por um corpo feminino, pernas, deslize no andar, e minha descoberta, ainda que tardia, do aflorescer de um desejo inconteste.
Clausulo em fantasia, abro-me a medida em que meus sentidos nao traiam, e meus afetos sejam, apenas, o desfrutar do prazer, sem enganos.
Minhas definicoes esbarram no medo da entrega, nao menos a caricia do que podera o contumaz trazer.  Um receio doce, por vezes aflitivo, em me descobrir meio ao avassalador que vira, ou nao, trazendo o terno enlevo dos afetos cometidos.
Nao mais pretendo desvendar o obvio, fruto do desejo.  Mulheres sao fonte de prazer e, nisso, sendo seu preco.
Ela resvala, limpida, no seu andar descompromissado ao que a cerca.   Eu a devoro em suas curvas, sem um rosto que me defina, mais ou menos, a atracao.
Olho um corpo que se me destaca, e ele me sussura prazer.  Dele exalo, e me completo, assim sendo, desejando, em todo, uma mulher.  Aberta a essa confissao, destino do que, talvez, me aguarde.
Entrego-me ao fortuito de minha descoberta, sem mais pensar, acatando-me a realidade do que me pulse, nova descoberta.
Na verdade que existe em mim, extraio um casulo de esperanca.  Quem sabe conhecerei o amor, ou o deliciar de momentos de enlevo.
Perguntas sem respostas, num principio em que nao ha cartas marcadas.  O proprio desenrolar da vida dando sequencia a estorias, talvez acabadas, ou nao.  Forca em que se acredita, e sabe o melhor.
Vou rumando em meus dias, cultivando a sapiencia da esperanca.  Do expectar, em sonhos que voem a terra plana, nao distantes do seu prumo.
No equilibrio entre a volupia e o terno, na busca da serenidade, onde ha paixao.  No desejo mudo, em vida.  Sabe-se la a que caminhos me levarao.

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