sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Agentes da paz ( Israel e Palestina )

Moro em Israel há 34 anos.  Longos quando penso nas inúmeras vezes em que fui perguntada porque abandonei o Brasil, e o que motivou minha vida para cá.  Tenho respostas que foram se alterando, ao correr dos anos.  No cerne da questão, a única certeza é de queria uma mudança em minha vida.
Fui atraída por Israel, porque gostaria de rever o pais que havia conhecido, somente por dois meses.  Apesar de ter uma formação judia, não tenho apego a nenhuma religião, sou fundamentalmente contra a luta por ocupação de terras, e não justifico o sacríficio de inocentes.
Costumo dizer que sou uma pessoa privilegiada.  Gosto do pluralismo, das diferenças que, a meu ver, se completam.  De que meu primeiro grande amigo, em Israel, tenha sido um palestino.  De que tenha tido como companheiras de classe duas árabes cristãs, com as quais dividi experiencias e incertezas profissionais.  De que eu inicie, em pouco tempo, um trabalho com uma ONG que agrega jovens israelenses e palestinos.  De que meu mais novo aluno seja árabe, e compartilhe comigo sentimentos de rejeição por parte de seus colegas.
Meu privilégio vem do fato de que colho os frutos certos pelo caminho.  Em que sei que um diálogo franco , e sem rótulos, me ajuda a colocar uma pequena pedra na construção de um mundo que não divida, mas que seja apenas parte de uma casa que abrigue a todos.
O lugar do ódio é para aqueles que se outorgam desafiar a grandeza da vida, no seu presente.
A mim cabe celebrar o fortùnio das diferenças, no belo em que consiste o aprender de não se estar só.
A paz só virá dos que se concentrem em ações positivas, sejam na crítica ou no pragmatismo de seus feitos.
Um brinde aos muitos que permeiam a mesma vontade e decisão.  Aos agentes da paz, sem nome, que construirão o futuro.
De Israel, Shabbat Shalom.   Sejamos corajosos em nossa escolha para o bom, não importando as vozes retaliadoras que se interponham pelo caminho.

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