quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Um tributo a vida ( Vida, vida, que mais te quero ainda )

Varias vezes me pergunto se valha a pena viver uma paixao.
Ela cega, desacelera e traz o mundo a tona.  O mesmo em que os corpos se entregam, o carinho se esprai, e o sentimento tem um so nome.
Atravesse-me, deixe-me sentir seu corpo dentro de mim. Preciso de voce para me sentir viva, da certeza de um encontro, ainda que breve.
A paixao e uma furia que nao conhece limites, dona de si mesma.  Tomou-me e, com ela, viajei para subterraneos do meu prazer, e desejo incontrolado.  Depois se transformou num almejar suave por caricias e busca de intimidade doce, sussuros, beijos e caricias, nos quais me deixei levar, porque foi meu unico sentido de viver.
Finito lo tormento e o nome desse capitulo, em que quanto mais desejei, mais me senti so.  Onde tanto procurei o transcender de mim, encontrei datas e horarios, simbolos da covardia da nao reciprocidade.
Mas eu existo, e assim me sinto.  Dona do meu querer, lagrimas, e destino.
Uma paixao o e, frenesi do encantamento, e a vontade do seu querer ficar.  E alimentada por sonhos de fantasia, de um real que e a felicidade transcendente aos momentos. E atemporal, e se nutre de sentidos que nao vivem a espreita do dia.
Talvez eu goste de me enganar.  Sejam esses pequenos momentos a grande inspiracao que me conduza a mais uma bonita cronica.  Que, dentro de mim, eu conheca a finitude de tudo que, obstinadamente, tento colocar em tempo e espaco.
Minhas palavras nao seriam unicas, se eu nao soubesse sonhar. Se nao houvera, em mim, essa docura do me doar sem limites, desacorrentando meus medos e frustracoes.
E, do que mais sofri e o farei, sairei mais forte, tao mais digna de mim mesma.
A paixao da as sequelas uma dimensao finita, e acaricia o presente.  Brinca e enternece o futuro, e ama a si mesma.  Deve ficar como um legado doce, depois que a turbulencia das emocoes se acalme, e voltemos a pairar sobre um rio tranquilo, com margens solidas, e suave correnteza.
Fica a despedida, do jeito que puder ser, calida, sofrida, sem nome.  O gesto nao dado, o rosto que vai se apagar, como a luz do Sol que traz a noite.
A paixao um orvalho, numa sincope de gestos enternecidos, e de volupia consumada.  Nao se basta, mas sabe que nao e duradoura.  Odeia tanto quanto ama, conhecendo o limite que levara ao perdoar.  Agradeci e, mesmo chorando, sorri.
Continuo sorrindo a passagem de um ano, que se me trouxe tantas flores.  Desgovernou-me, em muitos atimos, ao mesmo tempo em  que me trouxe o amor, pelo reconhecimento do meu sentimento e alegria doados.
Sonhei e me vesti de Cinderela, porque, na verdade, descobri que o sou.  E que tenho um nome do qual as lembrancas, agora, me trazem carinho.
Pude fazer amigos, reencontrar minha mae, abracar meu filho, e ir a luta. E sonhar, porque tenho a fragilidade e a forca para faze-los. E sem dedicatorias, o meu tributo e so a mim mesma.
Encontro do que eu mais poderia ser, com todas as vicissitudes da vida que, como diria Clovis de Barros Filho, e extremamente competente para nos entristecer.
Ela e linda, desafios imensos, procura eterna, e compasso curto.  Nele facamos nosso tempo, cada segundo a propria vida, tambem uma frase poetica.
Porque nao ?  Poesia.  Ela esta ai, esperando ser lida, metafora apos outra.
Com certeza, a vida nao e para os fracos.  Mas, a eles, a redencao da nao procura, e o amorfo do convencionalismo.  A aqueles que se deixam guiar por um um relogio que bate contra as emocoes, saibam que ele o faz tambem a favor da morte, incognita de todos nos que nao a sabemos.
Tenho um lindo texto, para mim, e todos que me lerao.  Vivi, e nao me amedrontei. Sofri, e estou aqui, mais do que nunca, inteira.  Chorei, lagrimas que tambem me adocicam.
E pude usar o sentimento de que, das palavras, extraio.  Elas que me acompanham desde menina, e que julguei perde-las, por tantos momentos em minha vida.  Foram e o sao, incondicionalmente, fieis.  Uma alegria infinda por te-las minhas companheiras, e saber de sua lealdade.
E mais um momento, feliz ?  Nao sei.  Com certeza, livre.  Experimento muita liberdade na nudez que esbarra comigo.  Onde sou finita, em toda grandeza do meu estar.
E uma despedida de algum momento de paixao, que me tomou por inteira, escravizando, e me dando redeas para seguir em frente.
Nao agradeco ao meu objeto, mas a mim, por tanto querer e devocao.
Se terei forcas para ver outro arco iris, nao dependera so de mim.  Ou, talvez, sim. Nao sou dona do meu destino, como o posso nao ser da minha vontade.  Se meu corpo, hoje, reclama, a forca dos meus instintos e intuicao sobrepuja os meus desejos de menina.
Ja nao me despeco de 2016, mas sigo o sentido da vida, que vai continuar pelo tempo que me for concedida te-la.  Dela so tenho, em se, a autonomia das minhas decisoes, e um desejo singelo de que tenha tempo.
Ele vai continuar a correr, e eu a reverencia-lo.  Como me foi permetida a sorte de faze-lo agora.
Despeco-me com um sorriso.  Vida, vida, que mais te quero ainda.

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