sábado, 12 de novembro de 2016

Retina ( Cronica de uma paixao desenfreada / 2012 )



Uma nova definicao da palavra louco surgiu na imprensa.
Ele e o candidato a escritor que, num momento de delirio epico, envia rascunhos de seus textos eroticos ao proximo procurando, com isso, ganhar terreno em sua simpatia e desejo.  Mas que nao se tema, insanos que o sao em negar o que fazem, ja que um pretenso auto sentido de paranoia os faz calar sua consciencia.
Maluca e aquela pessoa, mulher, inteligente, sensivel e charmosa, que decide variar seu estilo literario, e adentra pelo complexo mundo das investigacoes eroticas, imaginando-se ser uma personagem desfrutadora do prazer merecido por todos os habitantes terrenos.  Como so sabe escrever e nao o esperar, dilui-se a si mesma, em sua fantasia pseudo postergada.
Insano e o mundo dos que sonham com olhos abertos, e nao estendem a mao, normalmente por medo de que a companhia de um destino libertario os faca respirar ar puro e colorir sua visao.
Loucos sao aqueles que tem olhos e nao os usam, quando tantos, deles desprovidos, enxergam a verdade.  Aqueles que sentem falta do que construiram, que tocam um concerto sem notas, mas ainda lhe ouvem a melodia.
Feliz e o mundo do corpo exposto, da vontade desgarrada, do faz de conta do que nao e realidade, e das magoas que sucumbem a erosao do tempo.
Anormais somos eu e voce, que esperamos a vida, quando ela caminha dando voltas ao redor de nosso pescoco.  Mas, insistententemente, pesquisamo-la uma intencao e conteudo no que apenas e, para depois chorarmos o que passou, nos nutrindo de uma motivacao estoica de auto piedade.
Loucos, mil vezes loucos, por termos o prazer na mao e nao encontrarmos ecos de resposta, e chorar um prato solitario.  Por nao gritarmos, em vez de procurar o caminho de volta a nossa casta protetora.
Completamente insanos, vendo a vida passar a foice, levando nossa vitalidade e delirios.
Absurda a solidao de um grito mudo, que so encontra lugar no papel.  Onde andara minha ternura e meu pedido, se ca estou inteira, mandando rascunhos infinitos para um endereco incerto de um coracao desolado.   Perdi a razao nos meus arquetipos de uma cronica libertaria, que tomaram rumo a maos erradas, doce cumplicidade do destino.  E, como num jogo de dominos vendido, se seguiram a outro texto, a que se juntou uma nova inspiracao para, no final, resultar no vazio.
Fico eu com minha insanidade, por uma razao de posse e egoismo.  Serei eu a que fala, carrega o fardo, ama e sorri, levando uma linguagem estranha, que a si mesma desconhece.  Presenca maior em uma constelacao de mentes que anseia, mas reluta, martir, menina, vontade grande da ternura e medo do desconhecido.
Voltando a premissa basica, me pergunto se errei.  E, em o fazendo, se ha remediacao.  Como encontrar paz e inspiracao para viver a fantasia de um encontro inesperado, e segurar a paixao em minhas maos.  Como nao sentir a existencia, contando os minutos da minha pretensa, sana loucura.




           







Nenhum comentário:

Postar um comentário